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"diário de um felino qualquer"

[ Europe/Lisbon ] 2005/06/16 13:44 "o meu gato"

«O meu gato percorre as veredas dos objectos confortáveis com respeito sonoro e táctil pela fragilidade. A velha jarra arte nova do casamento dos meus pais, um vaso poeirento que lhe cheira a selvas perdidas no interior de continentes desaparecidos no diâmetro irrisório de uma hemácia. De um texto. De uma falácia.
Trava a corrida, na sua própria solidão, a poucos centímetros da janela, majestade de montanha no milagre da casa. Fica perto dos vidros... não estão partidos. Olha-me com os olhos postos no infinito matemático, com equações resolúveis na água do banho, das feras, do urso e do jaguar. Sabe, nos olhos, de cios, de revoluções ao luar.
O meu gato vê deuses alados na ausência, que talvez não seja o modo mais seguro de os ver, mas ganha uma vigilância nobre, de aristocrata dos Balcãs, no tumulto do fim de século, nos julgamentos nus da moral».
(josé carlos martins)

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[ Europe/Lisbon ] 2005/06/15 14:01 "cópia de um texto de bastet.blog"

"Levaram-me ao psicólogo porque eu tenho uma maneira diferente de ver o Mundo. Fizeram-me uma avaliação e chegaram à conclusão que eu estava desenquadrada da realidade. Eu insisti. Aleguei. Acho que a realidade é que está desenquadrada. Tão desenquadrada que esperam que eu fique feliz com a ração diária de whiskas, com o meu cesto morno e fofo e até com o rato de brincar que me compraram no supermercado. Não adianta explicar, e quantos miados perdidos, que a vida está lá fora. Que a liberdade não passa por aqui. Puseram-me uma coleira cor de laranja. Acho que ficava bem com a minha pelagem. Suportei-a o melhor que pude. Vivi com ela uns anos. Quase um mandato. Ao fim de algumas sessões compreendi como tudo funcionava. Eu não iria mudar. Só precisava que pensassem que eu ia mudar. Virei-me de cabeça para baixo e vi o Mundo como eles o vêm. Uma passagem sem qualquer sentido. Uns gatos têm e outros não. O coração bateu mais forte. Os apelos da raça. Afiei as garras e tornei-me selvagem. Sem abrigo. E se acaso recordo com saudade o conforto perdido, olho a coleira laranja que outrora me prendeu e percebo que nunca mudaria nada por dentro."

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Autor:
Anat (Ana Antunes )

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